O Futuro das proteções fixas

artigo publicado originalmente em climbing.com por Jeff Achey (tradução livre)

Um perigo eminente a medida que as proteções fixas envelhecem significa que as normas estão no horizonte.

Chamadas nos noticiários: “Serviço Americano de Florestas proíbe escalada esportiva em terras públicas que ainda não tenham atendido as recomendações de materiais em acordo com a UIAA”

Ok, isso é uma mentira, não aconteceu, ainda. Em Abril de 2016, o Acess Fund (AF) e a Petzl patrocinaram a segunda conferencia sobre “o Futuro das proteções fixas”. Aproximadamente 60 especialistas, viciados em conquista e organizações representativas de escalada de todo o país se reuniram em Las Vegas para discutir conquistas, equipamentos, técnicas de remoção de proteções antigas, financiamento, seguro para organizações de manutenção de vias, melhores práticas, piores práticas e conquistas e manutenção como serviço público. Outro tópico em discussão eram as eminentes recomendações da UIAA.

A explosão de crescimento da escalada esportiva na década de 1990 pos um número crescente de ancoragens em centenas de rochas por todo o país. Vinte e tantos anos mais tarde, essas proteções estão chegando ao final de sua vida útil. Muitas dessas proteções podem ainda estarem bons. Mas muitos não estão. Na maioria das escaladas esportivas, se apenas uma ancoragem falhar, as consequências podem ser terríveis. Adicionado a isso, muitos de nós negligenciamos algumas regras de segurança. Você alguma vez já isolou alguma proteção numa via? Alguma vez já tomou a maior vaca? ou já se ancorou em uma única proteção enquanto seu segue largava sua segurança para fazer alguma coisa?

Felizmente, quando corretamente colocados, os bolts e ancoragens modernos são fortes e confiáveis o suficiente de forma que os acidentes são raros. Os problemas surgem a medida que as ancoragens envelhecem. E em todo o País os bolts e ancoragens estão envelhecendo.

A maioria dos bolts foram colocados na década de 1990 e anteriormente eles eram feitos de Aço Zincado. Zinco é um material que mantém as cercas sem enferrujar, o que ocorre quando o aço reage com o oxigênio. Zinco reage tão fortemente com o oxigênio que enquanto o zinco estiver presente, o oxigênio ignora o aço então o aço zincado não deverá enferrujar. Infelizmente,  os parafusos são galvanizados (para que seus pequenos segmentos ainda possam trabalhar) e o revestimento de zinco é fino. O zinco logo desaparece, transformando-se em óxido de zinco que pode raspar, ou cloreto de zinco que simplesmente vai embora, deixando o aço desprotegido. É como descascar um ovo. Uma vez que a casca quebra o aço “saboroso” dos parafusos são consumidos. É preciso um par de décadas, dependendo do tempo e do clima, mas a ferrugem vai estragar o parafuso.

Pior, a corrosão se esconde na parte interna do buraco na rocha, tornando-se impossível de detectar. Mesmo em climas secos, o interior dos parafusos é obscuro, muitas vezes micro-ambientes úmidos que podem acumular água, em seguida, secar, concentrando os minerais que aceleram a corrosão. A parte externa das ancoragens e dos bolts podem parecer bons, enquanto as partes internas podem estar comprometidos. Kenny Parker, o chefe de re-equipagem para a organização de escaladores de New River (NRAC) na parte West do estado da Virginia no New River Canyon, informa que em algumas vias com 20 e tantos anos que ele re-equipou, uma ancoragem velha pode estar muito bom exigindo muito trabalho para extração ao mesmo tempo a próxima ancoragem a alguns metros da última se despreende facilmente, com pouquíssimo esforço. Você nunca sabe. Vaca vencedora, alguém se habilita?

Bolts podem estar envelhecendo, mas nas áreas de escalada mais populares, comunidades locais estão trabalhando em atualizar as ancoragens com produtos mais duráveis de aço-inox. Diferentemente do zinco, o processo “inoxidável” coloca os metais que atraem o oxigênio dentro do próprio aço, de forma que a casca protetora se renova constantemente. Mas substituir bolts (removendo-os, refurando os buracos existentes, ou em alguns casos furando novos buracos) requerem um investimento significativo de tempo e dinheiro. Em areas como Boulder e Yosemite que tem um alto nível de comprometimento com o reaproveitamento dos buracos originais, pode durar um dia inteiro de trabalho de um especialista, algumas vezes até mais que isso, para re-equipar uma via simples de escalada esportiva. Além disso, rocha íngremes e negativas dificultam o acesso para as colas (dos grampos químicos), ou ancoragens que não são confiáveis nem mesmo para facilitar a re-equipagem, tudo isso adiciona tempo necessário.

 Para perspectiva, um setor de escalada esportiva pequeno, como o Arsenal em Rifle Mountain Park no Colorado, pode levar para um especialista de duas a três semanas de trabalho de tempo integral para re-equipa-la. Rifle é uma área de escalada pequena, e o Arsenal é apenas um dos seus 30 setores. Multiplique isso por muitas centenas de áreas de escalada do País e você esta falando de dezenas de milhares de horas de trabalho. Sem mencionar a despesa com o equipamento necessário ao trabalho.

A boa notícia é que as comunidades locais de escalada têm sido muito bons em fazer este trabalho e em adquirir novos equipamentos para isso. Boulder, Rifle, The New, The Red, Rumney, Yosemite, Joshua Tree – esses e muitos outras áreas bem conhecidas estão nisso. A má notícia é que centenas de areas de escalada esportiva na América estão fora do caminho, sem nenhuma comunidade expressiva de escaladores ou organizações locais para arrecadar dinheiro e organizar o trabalho voluntário. Em picos menos conhecidos de escalada esportiva do Tennesse à Califórnia, os velhos bolts zincados estão próximos ou já passaram da hora de se aposentarem.

Então como toda a infraestrutura Americana de escalada esportiva tornou-se perigosa por causa da corrosão? É uma resposta em duas partes. Parte 1: Antigamente, nós não tínhamos esse tipo de conhecimento. Parte 2: Os conquistadores pagavam do próprio bolso por aquelas ancoragens que toda a comunidade utiliza. Graças a eles, nos Estados Unidos, proteções mais barata zincadas ainda estão sendo utilizadas, prolongando e agravando a nossa crise de infra-estrutura. Durante décadas, montanhas europeias têm usado apenas equipamento de aço inoxidável, financiado (inclusive os conquistadores) por organizações de escalada ou comunidades locais que consideram escaladores um benefício econômico. Nos Estados Unidos, no entanto, equipamento subsidiado para os conquistadores é uma raridade.

Uma discussão na conferência de abril, influenciaram as próximas diretrizes internacionais para a resistência a corrosão em bolts de escalada. A UIAA (Federação Internacional de Escalada e Montanhismo, organização responsável pelo desenvolvimento e manutenção de padrões globais de segurança para todos os equipamentos de escalada, de cordas a cadeirinhas e mosquetões), há muito tempo tem padrões para a resistência dos bolts. E agora esta perto de lançar diretrizes para assegurar a longevidade dos bolts.

Motivada por uma série de falhas de ancoragens em áreas propicias a corrosão em áreas de escaladas tropicais como a Tailândia e a República Dominicana, a UIAA formou uma força tarefa de combate a corrosão dos bolts. Embora as recomendações oficiais ainda não foram liberadas, as linhas gerais das orientações já estão claras. Dois são particularmente significativos:

Primeiro, o padrão para o tempo de vida útil mínimo esperado para um bolt de escalada será de 50 anos. Se isso atinge fabricantes como muito exigente, esta comparado com muitas aplicações na industria da construção civil. Também reconhece o trabalho necessário para substituir bolts. Enquanto alguns bolts de aço banhado em ambientes desérticos podem durar 50 anos, a maioria dos parafusos não. Mas esse argumento é discutível, devido a segunda diretriz: Aço inoxidável, seja o 304 ou 315, será o requisito mínimo de material. Aço-zincado esta fora da lista e será oficialmente declarado “apenas para uso indoor”.

Como muitas práticas de escalada, equipar uma via tem sido um padrão livre para qualquer um até este ponto, sem documentos formais para definir regras. Esses dias estão contados. Planos oficiais do manejo da escalada estão chegando a mais áreas e referem-se às recomendações da UIAA para orientar as “melhores práticas”. Inoxidável será requisito básico. A maioria dos escaladores concordam que é como deveria ser, mas o que é assustador é que as áreas estabelecidas com amplo uso de ancoragens não inoxidáveis poderiam ser fechados por não cumprirem o padrão da indústria. A publicação esta clara: De agora em diante, nenhum fabricante ou conquistador deve usar um bolt de aço-zincado. No entanto, quem vai fazer valer a ética?

“vai se tornar uma pressão nobre” diz Brady Robinson, executivo diretor da AF. “Eu já escutei este argumento: Se você não pode comprar uma corda dinâmica você usa uma corda comum para escalar? Não, você não faz isso. Ou você dá um jeito de ter uma corda de escalada ou você não irá escalar onde precisa de corda”

O Argumento econômico não vai impedir as coisas de acontecerem. Equipar vias em propriedades privadas é uma coisa, já em propriedades públicas é um ato público e portanto devem aderir ao padrão mais adequado, que neste momento é provavelmente o padrão UIAA.

Então o que um conquistador barato faz? a ASCA (Associação Americana de Escalada Segura) e muitas organizações de escalada locais patrocinam a substituição dos bolts ou com Aço Inoxidável (para áreas mais para o interior) ou Titanium (para áreas costeiras), a proteção mais duradoura de acordo com os ambientes em que serão usadas. O custo de equipar uma área de escalada não é tão grande para uma organização onde todo mundo contribui, mas é significativo para conquistadores individuais que arcam com os custos totais. A maioria dos programas existentes só subsidiam a substituição das ancoragens. As conquistas já são uma questão diferente.

Várias apresentações na conferência de proteções fixas ofereceram soluções possíveis. Como essa: As agencias de manejo de áreas deveriam abraçar a escalada e pagar por tudo. Este sonho é o que esta acontecendo com as falésias de calcário em John Boyd Thacher State Park, próximo a Albany, Nova Iorque. Após navegar pelo longo processo de declaração de impacto ambiental e processos de permissões ambientais, um pequeno grupo de escaladores persuadiram o parque a abrir áreas de paredões de calcário para a escalada e posteriormente convenceram o manejo do parque que eles deveriam financiar o desenvolvimento, pagando pelas proteções e pelo trabalho de instalar-los. Embora seja prática comum na Europa, os exemplos deste tipo nos Estados Unidos ainda são raros. É esta a onda do futuro? Provavelmente não, mas é bom de se ver isso acontecendo de vez em quando.

Uma solução mais promissora é o trabalho da Iniciativa de Proteções Fixas da Red River Gorge (FAI). A FAI é um programa de subsídio a ancoragens para os conquistadores, que encorajam-nos a usar aço inoxidável nos equipamentos de conquista para novas vias. Os Conquistadores continuam pagando pelos bolts, mas pelo preço que pagariam por uma bomba relógio de aço zincado, a FAI fornece aço inoxidável sustentável, com doações da comunidade de escalada pagando a diferença. É um sistema simples, mas não evita os riscos do abuso.

A Substituição de bolts, com seus custos, o trabalho de execução e os truques as vezes extravagantes para extrair os velhos bolts, vão continuar a desafiar a comunidade da escalada por décadas. Mas cada vez melhor e mais duradouros equipamentos de proteções fixas na rocha pela primeira vez pode ser mais importante. A FAI e outras organizações estão mostrando que é possível para a comunidade de escalada local para compartilhar o custo de fazê-lo direito.

Jeff Achey é um conquistador “Dirtbag” (barato) que não usa mais bolts de aço-zincado.

Aceitamos doações.

Como montar uma ancoragem no gelo a prova de bomba

Publicado originalmente em climbing.com por Ian Nicholson (tradução livre)

Ancoragens no gelo normalmente envolvem duas peças de proteção, ao invés de três peças como normalmente acontece na escalada em rocha, porque no gelo duro e resistente, duas peças são suficientemente resistentes. Além do que duas proteções gastam menos tempo e ajudam-lhe a mover-se mais rapidamente nesse meio ambiente extremamente frio. Por causa desse padrão, entusiastas do gelo precisam ser bem específicos sobre a estrutura da ancoragem, particularmente o angulo das ancoragens de gelo tanto quanto na orientação dessas peças em relação uma a outra. Construindo a ancoragem nessa configuração especifica não tomam um tempo extra, mas vai maximizar a força dessa ancoragem simples.

Em Primeiro Lugar

Depois de localizar onde vai fazer a sua ancoragem, inspecione visualmente o gelo para ter certeza que é tão sólida quanto o possível. O gelo deve ser transparente ou ligeiramente azul. Se é sólido e branco, então o gelo é podre. Obviamente, rachaduras e água corrente (até a água correr atrás de gelo fino) são ruins. Evite construir a sua ancoragem em protuberâncias onde o gelo tem curvaturas para fora e é menos resistente. Em vez disso, apontar para depressões e concavidades onde o gelo tem curvaturas para dentro, que normalmente será mais sólida por causa da força e apoio do gelo ao redor.

Posicionamento dos grampos no gelo

Primeiro, os grampos de gelo devem ser de pelo menos 12″, no entanto os indicados são de 18″ a 24″, especialmente se o gelo é suspeito. Se o gelo tem fraturas, o maior distanciamento vai reduzir a chance que ambas proteções vão ser afetas pelas mesmas fraturas. Quando colocando esses grampos de gelo, distancie-os de forma vertical, de forma a manter de 15 a 25 cm (figura 1). Eles podem até estar perfeitamente alinhadas, desde que estejam distanciadas. Isso faz duas coisas. Reduz o vetor força nos grampos. De forma simples, quanto menor o angulo entre os dois grampos, menor será a força aplicada a cada um e a distribuição das forças será mais igualitária. A segunda razão é que o gelo tende a fraturar horizontalmente e não na vertical. Então, se o gelo se quebrar, tendo ambos os grampos em um plano horizontal pode ser uma má notícia. Equalize essas peças com um cordelete ou fita, da mesma forma como na escalada em rocha.

Angulação do Grampo de Gelo

Ao contrário do que você deve estar pensando, o melhor angulo para grampos de gelos é levemente inclinado para cima, significando que a proteção vai estar levemente inclinada. Esse método não intuitivo é melhor porque a resistência vem do grampo em si e não do efeito “neve de piquete”, significando que você não pode obter qualquer vantagem mecânica tendo o eixo do parafuso alavancado contra o gelo (fig. 2). Essa ação de alavanca é realmente ruim para o poder de dissipação geral do parafuso, porque quando um parafuso de gelo falhar, é porque o gelo perto da superfície logo abaixo da proteção falhou. Quando o gelo na superfície cede, o veio fica exposto e apenas acrescenta mais torque, que fará com que o gelo a deteriorar-se. Eventualmente, com força suficiente, a falha total ocorre. Coloque grampos de gelo em um angulo de 5 º a 10 º de ângulo para cima. Mais do que 10 º é muito, porque ele vai alavancar o parafuso. Apontando o parafuso ligeiramente para cima mantém o parafuso mais de acordo com a carga, minimizando o torque, e permite que a estrutura toda faça seu trabalho.

Legacy Bolt – ClimbTech

Por: Rock and Ice (edição 230 – Novembro 2015) – Jeff Jackson
Traduzido em 18 de Abril de 2016.

Crescer nos anos 1990 não foi fácil – Apenas preste atenção as calças que nós usávamos. Ainda bem que muitos de nós mudamos de calças. No entanto, O mesmo não pode ser dito sobre muitos picos de escalada antigos, onde as ancoragens podem ser fatalmente perigosas.

O Fato é que para manter as vias seguras ao longo do tempo e necessário monitorar os bolts e ancoragens e substituí-los quando necessário. Infelizmente este processo requer retirar um bolt antigo e enferrujado, limpar o buraco e remover o bolt antigo. Com o Legacy Bolt, a Climb Tech dá outra opção aos conquistadores e aos responsáveis pela manutenção;

O Legacy Bolt é o único conjunto de proteção fixa e bolt totalmente removível. O Legacy é feito de um aço inoxidável de alto padrão, e se encaixa nos padrões UIAA de 20kN de resistência e é instalado da mesma forma que os bolts tradicionais.

A diferença esta quando você precisa substitui-los. então, basicamente você apenas precisa folgar o Legacy Bolt e remover o bolt inteiro do buraco. O Processo de remoção pode requerer paciência, forçar com alavanca, bater ou sacudir levemente, mas ainda assim é infinitamente melhor para o meio ambiente e esteticamente do que a forma antiga de quebrar e fazer outro furo novo na rocha. Por apenas 15,95 Dolares Americanos a unidade, o Legacy custa mais do que três vezes o preço de um kit de ancoragem simples, atualmente o mais usado entre a maioria dos conquistadores. Isso pode ser um custo proibitivo para conquistadores individuais, mas associações como a Access Fund e American Safe Climbing Association tem prestado atenção ao Legacy Bolt e estão considerando usa-los em esforços de regrampeamento de vias. Você também deveria considerar.

 

 

O Que acontece quando os bolts não funcionam bem?

Por: Shelby Carpenter – 4 de Novembro de 2015 outsideonline.com,
Traduzido em 24 de Novembro de 2015.

Bolts enferrujam, e especialistas preocupam-se que isso se transforme em mais acidentes, machucados e mortes.

Aproximadamente um terço das vias esportivas dos Estados Unidos, foram abertas nos anos 80 e 90, e os bolts destas vias estão se aproximando ao final da vida util.

Um dia no último março, Scott Sederstrom, 44 anos, estava escalando no Rio Owens Gorge, uma área popular de escalada esportiva no lado externo do Mammoth, Califórnia, usando uma técnica avançada chamada de Escalada Solo com Corda, que envolve clipar cada ancoragem acima com um Clipstick, e posteriormente retirar a ancoragem abaixo. Aproximadamente 12 metros do chão, quando clipou a terceira ancora, Sederstrom estava escalando uma aresta quando a ancoragem se desmanchou em duas e caiu da rocha. Sederstrom caiu e bateu no chão, vindo a óbito, provavelmente por trauma craniano (ele não estava usando capacete).

O Corpo de Sederstrom foi achado pelo sistema de busca e resgate do Condado de Inyo, na manhã seguinte, após sua noiva ter se preocupado e se dirigido à montanha, onde ela encontrou a van e o cachorro no estacionamento. Após uma inspeção, foi descoberto que a ancoragem falhou, era um velho 3/8 Buttonhead. Provavelmente foi instalado 20 anos atrás, havia corrosão escondida abaixo da superfície, e pode ter se fraturado parcialmente antes de Sedestron ter sequer clipado nele.

A forma como Sederstrom estava escalando solo com corda, que o deixou seguro apenas em uma ancora ao invés de várias ancoragens, e muito mais arriscado que a escalada tradicional. Mas sua presunção é assumida por todos os escaladores na montanha: Ancoragens são seguras. As modernas, tipicamente feitas de Aço Inoxidável, são projetadas para suportar até 3300 libras de carga para saída e 5600 libras para um impacto para baixo. Mas ancoragens vão se desgastando com o uso e enferrujam com o tempo, e até mesmo as mais bem fixadas eventualmente precisam ser substituídas;

Há aproximadamente 60.000 vias esportivas nos Estados Unidos, aproximadamente um terço das quais foram instaladas entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, de acordo com Nick Wilder, co fundador do “Mountain Project”. As ancoragens nestas vias estão se aproximando ao final da vida útil – aproximadamente 20 anos – e podem ou não serem seguras para escalar. De fato, e bem provável que centenas das milhares de ancoragens precisarão ser substituídas num futuro próximo, de acordo com Brady Robinson, Diretor Executivo do Access Fund, que trabalha para abrir áreas ao público, áreas de escalada pelo pais. Para acabar com esse problema, o Fundo e o American Alpine Club anunciou no último mês uma captação de 10.000 USD através de um programa chamado Anchor Replacement Fund. Dezessete organizações pelo pais tem recebido uma parcela do dinheiro para reposição de ancoragens.

“Algumas dessas ancoragens são verdadeiras bomba relógio”, afirma Ian Kirk, fundador do Red River Gorge Fixed Gear Initiative, que capta dinheiro para esforços de substituição de ancoragens e que recebeu uma parcela desse dinheiro. O Red River Gorge, destino internacional de escalada no Kentucky com mais de 2000 vias esportivas, representa uma micro parte da escalada que vem se tornando popular. A expansão das vias “tem ocorrido de forma exponencial nas ultimas duas décadas”, de acordo com o website do group de Kirk, e mais escaladores estão se ancorando, caindo  e forçando-as. “esta se tornando um jogo de probabilidades” com ancoragens antigas, diz Kirk. “ você simplesmente não sabe se elas são boas ou ruins.”

Os 10.000 USD do  Access Fund é uma gota d’água no oceano, o que se torna uma questão mais de consciência do que de solução. Robinson estima que custaria milhões de dólares para substituir todas as ancoragens que estão se aproximando ao fim da vida util. “Dada a quantidade de escaladores que estão migrando para as montanhas ao redor do pais, é assustador pensar que o problema de ancoragens ruins está acelerando assim como o número de pessoas usando-as também aumenta”, diz Dale Remsberg, diretor técnico da American Mountain Guide Association. “Nos estamos no ponto em que as ancoragens são valhas o suficiente e a escalada e popular o suficiente para que acidentes comecem a acontecer frequentemente”.

Os tipos de bolts e ancoragens que os escaladores instalam em novas vias hoje em dia, os que você se clipou na maioria dos lugares que você escalou, não estão sendo produzidos há muito tempo, pelo menos no esquema dos últimos 60 anos da escalada nos Estados Unidos. Nenhuma empresa no país fabricou bolts especialmente produzidos para a escalada em rocha até a Metolius iniciar a fabricação de boltes no final dos anos 80. Os bols de escalada modernos, ancoragens e argolas vendidos pela Metolius, Fixe Hardware, Climbtech, Petzl e outras companhias agora são feitos sobre especificações padronizadas de segurança estabelecidas pela Federação Internacional de Montanhismo e Escalada (UIAA).

Anteriormente, lá por volta dos anos 50, quando a escalada estava na sua infância, as ferramentas do esporte eram rudimentares. Escaladores, inclusive a lenda de Yosemite, Warren Harding, optaram por parafusos de expansão e fixadores projetados para uso em cimento, tijolo e projetos de construção em rocha. Um dos bolts mais comuns era o Star Dryvin, um prego de aço dentro de uma MANGA, que era chumbado com batedor manual no buraco, na face da rocha simplesmente batendo no local. (hoje em dia, escaladores em sua maioria usam furadeiras a bateria, então um martelo num bolt de expansão, para depois dar o torque no aperto do parafuso.) Um Star Dryvin era adicionado a ancoragem, uma peça de metal nivelado a rocha que cliparia a corda durante a Ascenção. Algumas ancoragens até eram feitas a mão. Estas configurações iniciais era muito mais fracas que os bolts atuais – escaladores desconfiam tanto deles que muitas vezes preferiam fixar Pitons a correr o risco de cair de um deles.

Good bolts. Photo: safeclimbing.org

Bolts bons. Photo: safeclimbing.org

Dos anos 60 até o início dos 80, a escolha do bolt era de ¼ de polegada RAWL DRIVE (“Buttonhead”), um bolt de construção que os escaladores habilidosamente usavam com furadeiras de mão enquanto conquistavam. Os bolts costumavam ser associados a estilos antigos (o que hoje são considerados ser) pouquíssimo confiáveis, como os LEEPER HANGER. O fabricante de bolt, Ed Leeper fez um recall de todas as suas ancoragens em 2004 e pediu aos escaladores que removessem qualquer ancoragem sua remanescente nas rochas por todo o pais, por serem vulneráveis a corrosão química e estresse mecânico que pode quebrar ao meio devido ao estresse da queda de um escalador. No final dos anos 80, escaladores estavam usando bolts mais grossos e resistentes de 3/8 e de ½ polegada de diâmetro.

Os mais resistentes e duráveis bolts disponíveis hoje são os de Titânio, mas eles são tão caros que geralmente só são usados em montanhas próximas ao mar, onde a maresia pode causar uma corrosão particularmente rápida aos bolts tradicionais de aço. Fora o titânio, bolts de  ½ polegada de aço inoxidável ou ancoragens são considerados o padrão de ouro contemporâneo, apesar de que os primeiros conquistadores optam por bolts de aço mais baratos. Quanto bolts de aço são substituídos por aço inoxidável, eles estão sujeitos a um processo chamado galvanização corrosiva, que ocorre quando dois tipos diferentes de materiais trocam ions e degradam-se.

“Simplesmente não e realístico esperar que o metal continue funcionando em 20, 30, 40 anos” diz Kevin Daniels, fundador da Fixe Hardware. “pessoas precisam estar conscientes e pensarem, se esse bolt falha, o que vai acontecer? Ate mesmo se trocarmos todos os bolts que existirem, essa e a questão que deve estar na mente de todos”.

Especialistas avisaram que acidentes como a queda de Sederstrom poderiam se tornar comuns no esporte, mas surpreendentemente tem havido poucos acidentes devido a falha dos bolts nos últimos anos. Os dois mais recentes acidentes relacionados a fatalidades com Bolts ocorreram em 2012 e 2010, na região do Meadow River, na Virgina do oeste e no Index em Washington, respectivamente, de acordo com uma pesquisa da organização Accidents in North American Mountaineering data base. Mas pergunte por ai e você escutara histórias de escaladores experientes sobre perdas próximas relacionadas a bolts. Robinson, por exemplo, se lembra de escalar uma via nos anos 90 no Catedral Spires no interior da Dakota do Sul. “eu clipei numa ancoragem e a ancoragem saiu da parede” disse ele. “Eu olhei em volta e vi que não havia mais nada, então eu botei de volta e continue escalando”. Na falta de uma proteção melhor próximo dele, ele apenas continuou escalando, arriscando uma queda ainda mais perigosa.

Além do risco que escaladores individuais enfrentam quando estão usando essas ancoragens, há uma outra razão para que o Acess Fund queira substitui-los: assim áreas de escaladas não são fechadas. Quando uma menina de 12 anos de idade sofre um ferimento crítico devido a uma queda durante uma caminhada em Mokuleia Wall no Havai em 2012, o departamento de estado havaiano de terras e recursos naturais (DNLR) fechou a parecer para escalada indefinidamente e instalou avisos de “não ultrapasse” que ameaça com multas de 2.000 USD. A proibição então se expandiu por Mokuleia e incluiu todas as falésias e montanhas administradas pela DNLR até a legislação ter sido regulamentada provendo imunidade ao estado quanto a responsabilidade. Apenas em janeiro deste ano que a Mokuleia e suas rotas de escaladas com mais de 70 anos foram reabertas aos escaladores.

Bolts estragados. Photo: safeclimbing.org

Bolts estragados. Photo: safeclimbing.org

O Acess Fund quer se certificar que outras áreas não sofrerão o mesmo destino. Mas substituir todos os bolts antigos das vias não acontecera da noite pro dia. Fora a falta de fundos, há também uma falta de mão de obra, pois apenas algumas pessoas tem conhecimentos especializados para substitui-los, e menos ainda tem o tempo pra fazer isso regularmente. “e muito difícil conseguir pessoas com conhecimento suficiente que dediquem seu tempo para faze-lo” diz Kirk. Ele pessoalmente substitui centenas de bolts a cada ano no Red River Gorge, que usualmente envolve usar uma barra quebradora para extrair bolts antigos e furar novos buracos para colar bolts, que contam com uma cola química forte que os mantem no local e normalmente duram mais que os de bolts de expansão mecânica os quais estão sendo substituídos.

Mas não é o suficiente.

Nós precisamos de mais pessoas substituindo as ancoragens e mais pessoas financiando a troca. “está se tornando uma tarefa enorme para nos mantermos alertas e substitui-los” diz Kirk. “Está se tornando uma crescente epidemia”.

COMO IDENTIFICAR ANCORAGENS RUINS

 Existem alguns sinais que nos mostram uma ancoragem suspeita, que o escalador pode estar atento. Buttonheads (que parecem botões de casaco) e Star Dryvins (que tem uma estrela estampada) não são confiáveis. Se uma ancoragem em um bolt qualquer esta folgado e se meche, isso significa que esta saindo da rocha mais do que deveria e não deve ter resistência máxima; a ancoragem pode não necessariamente precisar ser substituído, mas precisa ser reapertado para obter a tensão apropriada conforme recomendação do fabricante.

Ferrugem no bolt ou na ancoragem indica fraqueza. Mas nem todos os bolts e ancoragens ruins tem sinais visíveis de corrosão, caso a corrosão aconteça no interior do furo ou do bolt propriamente dito.

Fora os bolts, também e importante analisar as ancoragens. Qualquer ancoragem da Leeper e suspeita, e são identificáveis por suas arestas afiadas e formas trapezoidais. A velha ancoragem SMC pode ser identificado por quão finas são – tão finas quanto um quarto de polegada. Bolts e ancoragens perigosos podem ser reportados no Badbolts.com, um cadastro online para rastrear bolts que precisam ser substituídos e provem informações quanto a prospecção de pessoas para substitui-los.

Escaladores devem estar especialmente conscientes das áreas em que muitas vias esportivas foram abertas a mais de 20 anos, de acordo com Remsber da American Mountain Guide Association incluindo o Red Rock Canyon próximo a Las Vegas, Eldorado Canyon no Colorado e o Red River Gorge, que tem uma alta porcentagem de bolts de zinco instalados em condições de umidade.