Testemunhe o Treinamento Mental – Parte 2

Continuando…

Quando você começar a evoluir na escalada, foque sua atenção nas sensações do corpo durante a escalada: Respirando e ficando relaxado o quanto puder, e continue se movendo. Se você parar em uma seção devido a dúvidas, então siga esses passos:

Primeiro: Atrase o movimento e não dê ouvidos as dúvidas criadas na mente. Olhe para baixo para tomar conhecimento de onde está sua última costura para confirmar que ainda estará em uma zona de quedas limpas.

Segundo: Foque sua atenção em localizar agarras para mãos e pés e o que você precisará escalar.

Terceiro: Mantenha sua atenção para as sensações fisicas da respiração e relaxamento.

Então faça algumas exalações deliberadas e comprometa-se a fazer o próximo movimento independente de cair ou não. Não deixe sua mente decidir pela queda, e não toque sem esperança na próxima agarra. Envolva seu corpo no próximo movimento com precisão e foco, independente do cenário de dúvidas. Um movimento é valioso, é isso que você aprende.

Arno Ilgner é o autor do “Caminho do Guerreiro da Rocha”, considerado a bíblia do treinamento mental para escaladores. Este ensaio foi retirado do seu livro novo, Espresso Lessons (em tradução livre, Lições Expressas”).

Parte 2 / 2

Testemunhe o treinamento mental: Deixe os pensamentos de lado para melhorar a performance

Por: Rock and Ice (versão web) – Arno Ilgner
Traduzido em 27 de Abril de 2016.

Wow! em uma fração de segundo eu estava caindo no ar.

A corda ficou folgada à medida que eu caía e era jogado na nevoa e garoa. O que eu mais temia aconteceu: A proteção havia saído da laca. A corda esticou após 20 pés, me jogando de cabeça para baixo e me empurrando até parar. Eu estava abalado, mas ileso. Essa era a terceira vez em que eu visitava uma via na Headwall com 700 pés, em Whitesides na Carolina do Norte e nós estavamos apanhando mais uma vez.

Uma Primeira Ascensão é difícil, um desafio de diversos níveis, psicologicamente desafiador e cansativo. Se vamos conseguir mandar a via ou não é um convite ao desconhecido.

Na nevoa e garoa de Whitesides, Doyle Parsons e eu estavamos ambos encarando o desconhecido, mas o nosso “eu interior” que iria a decidir o nosso destino. Nós estavamos cansados, molhados e desencorajados.

“Não dá para escalar na chuva”, eu disse para ajudar a justificar a decisão. Nos arrumamos e saimos.

Sua mente fará de tudo para evitar estar presente no estresse inerente ao desáfio da escalada. Ela vai criar pensamentos de fuga do estresse, assim como me aconteceu em Whitesides. Um outro pensamento de fuga é: “Eu estou muito Tijolado para continuar”.

Essa tendência de fuga da mente é natural. O que você pode fazer a respeito é simplesmente identificar ou perceber quando esses pensamentos ocorrem.

Você não pode “consertar” a mente da perspectiva dela própria. O Treinamento mental deve ser feito da perspectiva que é removida da própria mente. Você precisa de uma abordagem diferente.

Muitas pessoas estão tão habituados a essa forma de pensar que nem percebem que estão pensando assim. Ainda assim você não pensa assim o tempo todo. Você pensa a maior parte do tempo, mas há lacunas entre pensamentos. É nessas lacunas que reside o “estar consciente”. Você pode “estar consciente”, isto é, Preste Atenção e Observe quando sua mente gera pensamentos. Prestar atenção a mente cria pensamentos que ajudam a perceber que eles são apenas isso, Pensamentos!

Talvez a mudança mais critica que você pode fazer no seu desenvolvimento mental é aprender a controla-lo da perspectiva de “estar consciente”. Seu desenvolvimento mental irá evoluir na mesma velocidade que você conseguir fazer essa mudança. Assim que você começar a controlar-la da perspectiva do “estar consciente”, você irá separa o seu “eu consciente” dos efeitos limitadores dos pensamentos.

Praticando o “Estar Consciente”

Há momentos durante a escalada que você precisa pensar, analisar os riscos e tomar decisões. Você normalmente faz isso em momentos de descanso, quando você esta protegido. Entre esses descansos esforce-se para simplesmente focar na escalada sem interferência da mente.

Para praticar, escolha uma via que esta abaixo do seu limite e que tenha quedas limpas e que você tenha experiêncie em tomar essas quedas. (depois que você fizer esse exercicio em vias abaixo do seu limite você pode progredir para vias mais dificeis). Se você não tem experiencia em guiada e quedas, o exercicio ainda pode ser util se feito em TopRope. Sua intenção é manter-se escalando independente de dúvidas na sua mente. Faça uma avaliação de risco minuciosa em posições bem protegidas.

 

Parte 1/2...

Legacy Bolt – ClimbTech

Por: Rock and Ice (edição 230 – Novembro 2015) – Jeff Jackson
Traduzido em 18 de Abril de 2016.

Crescer nos anos 1990 não foi fácil – Apenas preste atenção as calças que nós usávamos. Ainda bem que muitos de nós mudamos de calças. No entanto, O mesmo não pode ser dito sobre muitos picos de escalada antigos, onde as ancoragens podem ser fatalmente perigosas.

O Fato é que para manter as vias seguras ao longo do tempo e necessário monitorar os bolts e ancoragens e substituí-los quando necessário. Infelizmente este processo requer retirar um bolt antigo e enferrujado, limpar o buraco e remover o bolt antigo. Com o Legacy Bolt, a Climb Tech dá outra opção aos conquistadores e aos responsáveis pela manutenção;

O Legacy Bolt é o único conjunto de proteção fixa e bolt totalmente removível. O Legacy é feito de um aço inoxidável de alto padrão, e se encaixa nos padrões UIAA de 20kN de resistência e é instalado da mesma forma que os bolts tradicionais.

A diferença esta quando você precisa substitui-los. então, basicamente você apenas precisa folgar o Legacy Bolt e remover o bolt inteiro do buraco. O Processo de remoção pode requerer paciência, forçar com alavanca, bater ou sacudir levemente, mas ainda assim é infinitamente melhor para o meio ambiente e esteticamente do que a forma antiga de quebrar e fazer outro furo novo na rocha. Por apenas 15,95 Dolares Americanos a unidade, o Legacy custa mais do que três vezes o preço de um kit de ancoragem simples, atualmente o mais usado entre a maioria dos conquistadores. Isso pode ser um custo proibitivo para conquistadores individuais, mas associações como a Access Fund e American Safe Climbing Association tem prestado atenção ao Legacy Bolt e estão considerando usa-los em esforços de regrampeamento de vias. Você também deveria considerar.

 

 

20 Anos de Escalada em Serra Caiada

Serra Caiada é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, Nordeste Brasileiro, na mesoregião e microregião do Agreste Potiguar. Com área de 167,348km2 e população de 8.774 habitantes, conforme censo de 2010 do Institito Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Período de chuvas é de Março a Junho, conforme indice histórico da emparn para o agreste potiguar.

Em 2012 foi realizado um plebiscito junto ao primeiro turno das eleições municipais para decidir se a população era a favor da mudança do nome da cidade de Presidente Juscelino para Serra Caiada, aprovado com 98,53% dos votos.

A escalada em Serra Caiada teve seu início em 1996, com as primeiras vias grampeadas da Serra, sendo a Grampeleta no Boulder Principal a 1º Proteção Fixa de Serra Caiada e a Genesis na Face leste a primeira via tradicional de Serra Caiada.

Serra Caiada hoje conta com mais de 200 vias de escalada catalogadas, estima-se que esteja perto das 250 entre catalogadas e não catalogadas, além disso comenta-se que seriam as primeiras vias de escalada do nordeste. Existem praticamente dois acessos a Serra Caiada o principal pelo Boulder principal e o acesso ao setor da Ravina, ver guia do encontro de 2012, está situada a 66km de Natal (Capital Potiguar) pela BR 226 seguindo de Natal (Passando pelos municípios Parnamirim/ Macaíba/ Bom Jesus/ Serra Caiada).

No inicio de 2016 Serra Caiada Recebeu o evento mulheres da rocha, em homenagem ao dia internacional da mulher, movimento similar a famosa “1º Grande Concentração Feminina no Pão de Açucar” ocorrido em 1986 e que este ano comemora 30 anos de presença femina.

O Aniversário de 20 anos das primeiras vias de escalada de Serra Caiada, reacendem os cuidados com manutenção de vias de escalada, até quando os grampos originais suportam impactos e quão danificados já estão? algo largamente estudado e apoiado nos Estados Unidos, inclusive com a criação de uma Organização para Regrampeamento de vias de escalada, a safeclimbing.

No aniversário dos 20 anos da escalada no RN nós lançamos o primeiro banco de dados de grampos, chapas e ancoragens defeituosas no Brasil e homenageamos a Grampeleta dando ao banco de dados o seu nome. Nosso intuito é meramente estatistico e informativo para que possamos analisar as informações e entender os impactos e durabilidade das proteções fixas. Nosso banco de dados é aberto para receber informações de vias em quaisquer estados brasileiros, não limitando-se ao nordeste, e disponibilizaremos a versão consolidada do banco de dados sempre que processadas as informações recebidas.

 Como chegar em Serra Caiada:
  • Distância de Natal – 64 km aproximadamente (1 hora).
  • Pegue a RN-063, No final da reta tabajara entre a esquerda em direção a Caicó/Currais Novos e siga por até Serra Caiada.

As coordenadas geográficas são:

  •  Latitude: -6:09:31
  •  Longitude: -35:72:15
  •  Altitude: 401m

O Período de chuvas é de abril a julho.

Mapa Topográfico do Rio Grande do Norte

Maiores informações sobre a escalada no Rio Grande do Norte nos sites da AERN (Associação de Escaladores do RN), e no blog EscaladaRN que disponibiliza uma croquiteca ou ainda no em contato.

A História da Cadeirinha/Baudrier

Por:Climbing Staff – publicado na Climbing.com
Traduzido em 10 de Março de 2016.

“Nós tivemos um longo caminho, desde as dolorosas cadeirinhas de fitas até modelos mais elegantes e confortáveis, pesando menos de um Kg. Para ver o quanto evoluimos, com desenhos modernos e materiais com o estofamento confortável, forros de malha respirável e de corte a laser, tornaram estes obsoletos (apesar de terem sido inovadores no seu tempo). Em exposição na Neptune Mountaineering em Boulder, Colorado. Então fique instigado e veja caderinha modernas para escolher a sua.

Cópia de um cinto do Leste Europeu,

Caseiro, pode ser montado usando corda ou cordelete. – 1967-1968

Cinto de Bill Forrest 

Vendido separadamente dos loops para as pernas (abaixo), para um melhor dimensionamento de tamanho. – 1968

Loop para as pernas de Bill Forrest

os Loops e Cintos (foto anterior) eram sempre usados em conjunto. – 1968

Cadeirinha de Whillans Feito pela Troll, na Inglaterra, desenvolvido para a primeira ascensão da face sul da Annapurna. – 1970

Cadeirinha de Clan Robertson

Criado por Brian Robertson em Boulder, Colorado.

Inicio dos anos 1970

Cadeirinha abs da Troll

Tem uma larga possibilidade de ajustes pelas presilhas e não pode ser desfeita por segurança.

Final dos anos 1980

A Costura Alpina

Uma melhor forma de organizar suas costuras

Muitas vezes você vai levar muitas costuras longas em vias longas ou em escalada alpina, para reduzir o arrasto da corda, para livrar arestas ou para dar segurança de um platô. Mas levar muitas costuras e fitas pode ser complicado. A solução? Costura alpina. dando voltas na costura torna ela em uma costura versatil para usar de forma rápida no baudrier. Aqui vai como fazer.

– Com um mosquetão em cada ponta da fita, passe um mosquetão por dentro do outro.

2º – Clipe este mosquetão nas duas partes da fita para transformar em uma costura.

3º – Para extender a costura, clipe um mosquetão a ancoragem, desclipe o outro mosquestão e reprenda-o a uma das pontas da fita, puxe o mosquestão e pronto! a costura vai estender-se totalmente.

Cordas precisam descansar?

Algumas semanas atrás eu estava em um pico de escalada local, quando um dos meus colegas perguntou se eu me incomodaria de responder uma questão “tecnico-científica típica questão de engenharia”. Ele queria saber porque cada queda que ele levava enquanto estava desenvolvendo seus “projetinhos” pareciam progressivamente mais dolorosas. Eu mencionei que uma velha publicação da Freedom of the hills assim como uma numerosa quantidade de revistas de escalada mencionavam sobre deixar suas cordas “descansarem” entre quedas fortes ou mesmo trocar as pontas antes de tentar o movimento do crux novamente. Isto e claro para reduzir a sobre-carga sofrida, o que pode se tornar especialmente critico quando se escala com equipamento danificado, A Corda e a peca fundamental que ajuda a absorver energia quando o sistema esta elastecendo – e assim como um elástico, eh preciso tempo entre cenários de cargas expressivas para descansar e então poder absorver a máxima quantidade de energia no próximo esforço. Meu amigo me encarou, claramente não tendo a menor ideia do que eu estava falando.

Ele continuou e perguntou se haveria algo que ele poderia fazer para diminuir as dores nas suas falanges, e reduzir a carga de equipamento necessário. Mas alem disso ter uma segurança dinâmica. Use uma corda de alta elasticidade, folgue um pouco seu no após cada pequena queda (Porque os nos também absorvem energia durante uma queda), deixe a corda descansar entre cada tentativa, e use nylon slings e costuras que absorvam mais energia que a Spectra/Dyneema (que não elastece).

Para tentar colocar alguns números, eu e alguns integrantes do grupo QA Engenharia desenvolvemos um rápido plano de teste e executamos na torre de testes. Nos percebemos que tentariamos perceber diferenças de cargas sofridas em cada equipamento da proteção quando:

Executando sucessivas quedas o mais rápido possível na mesma corda
Descansando a corda 30 minutos entre cada tentativa
Folgando o no entre as tentativas
Deixando a corda descansar 2 horas entre as tentativa
Deixando a corda descansar um dia inteiro entre cada tentativa

Nota Informativa: Esse não pretende ser um teste complexo, nem tese de PHD, apesar do pequeno caráter cientifico. Claro que há muito muito mais que poderiamos fazer para melhorar isso. Esta informacao limitada a uma pagina de resumo e apenas uma tentativa de dar aos escaladores um pouco de alimento para a imaginacao. Apenas isso.

Configuração do Teste:
BD drop tower (sem certificação da UIAA)
80 Kg de massa rígida de aço
Freio Estático (isto e critico, apesar de ser atípico ou realista, e repetível e nos permite isolar variáveis que nos interessa)
Corda de 10,5mm (nova)
Corrente usado como costura
Cenário tipico de queda de guiada
Fator de queda: 0.26

Linhas gerais do teste (corda descansando 5 minutos entre as cargas)
Usando uma seção da corda no teste conforme descrito acima, a massa foi liberada e a tensão foi tensionada (na parte superior do equipamento).
A massa foi subsequentemente levantada de volta ate a mesma altura e novamente jogada após a marca de 5 minutos.
O teste foi repetido por 10 vezes.

Folgando o No

Assim que as cargas era relativamente pesadas durante este teste, nos percebemos que não seria tão fácil folgar os nós, então nos decidimos colocar um mosquetão dentro do 8 duplo. Isso permitiu que folgassemos o no a cada queda, e a massa era subsequentemente levantada a mesma altura e jogada novamente a marca de 5 minutos.
Isso foi repetido por 10 vezes.

Corda descansando 30 minutos entre cada carga

Mesmas linhas gerais do teste anterior no entanto a corda descansou 30 minutos entre cada tensão de carga, repetido por 10 vezes.

Corda descansando 2 horas entre cada carga

Mesmas linhas gerais dos testes anteriores no entanto a corda pode descansar por 2 horas entre cada carga e só foi repetido uma vez.

Corda descansando 24 horas entre cada carga

Mesmas linhas gerais dos testes anteriores, no entanto a corda pode descansar 24 horas e a carga só foi liberada uma única vez.

Observações:

1. Como esperado, progressivamente os resultados aumentam as forcas.
2. As maiores cargas foram para a primeira e segunda carga, como esperado.
3. Folgar o no após cada queda reduziu um pouco a tensao, porem não muito.
4. Deixar a corda descansar 30 minutos entre cada tensao sofrida teve um efeito muito maior do que reduzir a tensao do sistema do que folgar uma corda, porem ainda não foi expressivo.
5. Permitir a corda descansar 2horas e 24horas teve um efeito de reduzir as tensoes na segunda carga.
6. Permitir a corda descansar 24horas ainda resultou numa tensao 11% maior do que na primera carga.

Conclusao:

Folgar o seu no, ou deixar a corda descansar antes da próxima queda reduz os impactos das cargas levemente. No entanto, usar cordas diferentes para cada tentativa ou trocar os lados da corda produz um efeito muito mais positivo. E claro que a melhor opção para manter as tensoes no sistema minimizados e não cair, em primeiro lugar. Como declarado anteriormente, isto não e um estudo exaustivo e existem muitos outros testes e experimentos que poderiam ser realizados se não estivessemos ocupados fazendo o melhor equipamento de escalada do mundo. Por exemplo:

“Quanto tempo demora para que a corda possa descansar a ponto de ficar em condicoes similares a de uma corda nova, ou ainda, isso pode efetivamente acontecer?”

“Qual e a diferença se tivessemos usado um freio realista e dinamico ao inves de um freio estatico”

“Que tal fazer esses testes com uma corda ainda mais fina?”

“E como fica se usarmos corda dupla? Ou gemea?”

“ qual o efeito de folgar o seu no ou deixar a corda descansar tem um efeito melhor num mundo real com cenario de cargas realisticas?”

Quem sabe um dia,

Escale com seguranca.

KP

Fonte: Black Diamond

“Ainda Não Mijei Hoje”

Minha primeira impressão da serra do Cuó foi incrível. A vista de longe é de duas enormes paredes laranja que só me lembravam as imagens que vi das tão aclamadas paredes da Catalunia espanhola. Já passavam da 9:30 da manhã e o sol não estava de brincadeira, a trilha era claramente longa e exposta, o que me deixou com um sentimento misto de “eu preciso ir nessa linda parede AGORA!” intercalado com “Eu não quero subir essa trilha de jeito NENHUM! ” Para minha sorte (ou não) os amigos Janine Falcão e Allyson Laurentino tinham programado algo bem mais amigável para o pouco tempo que tínhamos disponível. Acontece que ao longo da inclinada vegetação que se forma aos pés dos dois paredões, a superfície é recoberta de enormes blocos de pedra, tão grandes quanto a famosa pedra do Urubu no Rio de Janeiro. Blocos que talvez tenham rolado dos paredões em algum momento do passado, análise que deixo pros geólogos. Muitos blocos, com todas as faces verticais e negativas, oferecendo inúmeras vias e permitindo que os escaladores escolhessem o lado da sombra e se ajustassem a mesma ao longo do dia. E o que mais me chamou a atenção foi a existência de fendas, muitas fendas, e devo admitir que esportiva com proteção móvel é um dos meus estilos favoritos. Escalei algumas vias ali e no fim me deparei com uma linha que me chamou muito a atenção. Perguntei que via era e o Allysson me confirmou que era um projeto. Que o conquistador, Victor Hugo Vasco, tinha montado a linha mas não tinha conseguido a tão desejada “cadena” que move o escalador de esportiva. Me interessei e resolvi tentar. Primeiro em “top rope”. Se não tinha cadena devia ser muito acima do meu grau, mas para a minha surpresa não era. O grau da via concentra-se nos dois movimentos inciais, um boulder de calcanhar seguido de um movimento dinâmico. Cheguei a sugerir 7c, mas depois de escalar mais pelo nordeste achei melhor deixar 7b, sim amigos, o grau deles é duro! E a graduação deve ser mantida de acordo com o local. Na primeira tentativa guiando me “emocionei” e não consegui repetir a saída, a cadena só saiu depois de um descanso, um lanchinho e um terceiro e último “pega”. Virando o boulder a via fica bem fácil, algo como um 4o grau a ser protegido com um camalot .75 ou equivalente.

Já que o Allysson me garantiu que eu tava levando a “primeira ascensão” ele me deu o direito de dar o nome da via, e eu sugeri “Ainda não mijei hoje” singela homenagem ao “chilique” do dia anterior que só quem estava no 14 EENe presenciou. Depois de um dia no Cuó eu olhei pra trás de novo e voltei a encarar os dois paredões. Refleti sobre o local, sobre um 7b sem cadena e terminei com minha segunda e última impressão do Cuó. Muito potencial! Uma rocha magnífica, cheia de fendas, com oportunidades para todos os níveis, níveis de escalada ou de disposição. Um local que vem recebendo escaladores conquistadores, mas que ainda não tiveram tempo nem de encadenar as próprias vias, será que é porque ainda não conseguiram parar para escalar? De tanta parede que tem para conquistar? Porque cada linha que se abre, a próxima é mais bonita e mais chamativa? Só sei de uma coisa, se as 9:30 eu não tinha certeza se queria “chegar lá”, as 13:30 eu só pensava em chegar lá “de qualquer jeito!!!”