O Futuro das proteções fixas

artigo publicado originalmente em climbing.com por Jeff Achey (tradução livre)

Um perigo eminente a medida que as proteções fixas envelhecem significa que as normas estão no horizonte.

Chamadas nos noticiários: “Serviço Americano de Florestas proíbe escalada esportiva em terras públicas que ainda não tenham atendido as recomendações de materiais em acordo com a UIAA”

Ok, isso é uma mentira, não aconteceu, ainda. Em Abril de 2016, o Acess Fund (AF) e a Petzl patrocinaram a segunda conferencia sobre “o Futuro das proteções fixas”. Aproximadamente 60 especialistas, viciados em conquista e organizações representativas de escalada de todo o país se reuniram em Las Vegas para discutir conquistas, equipamentos, técnicas de remoção de proteções antigas, financiamento, seguro para organizações de manutenção de vias, melhores práticas, piores práticas e conquistas e manutenção como serviço público. Outro tópico em discussão eram as eminentes recomendações da UIAA.

A explosão de crescimento da escalada esportiva na década de 1990 pos um número crescente de ancoragens em centenas de rochas por todo o país. Vinte e tantos anos mais tarde, essas proteções estão chegando ao final de sua vida útil. Muitas dessas proteções podem ainda estarem bons. Mas muitos não estão. Na maioria das escaladas esportivas, se apenas uma ancoragem falhar, as consequências podem ser terríveis. Adicionado a isso, muitos de nós negligenciamos algumas regras de segurança. Você alguma vez já isolou alguma proteção numa via? Alguma vez já tomou a maior vaca? ou já se ancorou em uma única proteção enquanto seu segue largava sua segurança para fazer alguma coisa?

Felizmente, quando corretamente colocados, os bolts e ancoragens modernos são fortes e confiáveis o suficiente de forma que os acidentes são raros. Os problemas surgem a medida que as ancoragens envelhecem. E em todo o País os bolts e ancoragens estão envelhecendo.

A maioria dos bolts foram colocados na década de 1990 e anteriormente eles eram feitos de Aço Zincado. Zinco é um material que mantém as cercas sem enferrujar, o que ocorre quando o aço reage com o oxigênio. Zinco reage tão fortemente com o oxigênio que enquanto o zinco estiver presente, o oxigênio ignora o aço então o aço zincado não deverá enferrujar. Infelizmente,  os parafusos são galvanizados (para que seus pequenos segmentos ainda possam trabalhar) e o revestimento de zinco é fino. O zinco logo desaparece, transformando-se em óxido de zinco que pode raspar, ou cloreto de zinco que simplesmente vai embora, deixando o aço desprotegido. É como descascar um ovo. Uma vez que a casca quebra o aço “saboroso” dos parafusos são consumidos. É preciso um par de décadas, dependendo do tempo e do clima, mas a ferrugem vai estragar o parafuso.

Pior, a corrosão se esconde na parte interna do buraco na rocha, tornando-se impossível de detectar. Mesmo em climas secos, o interior dos parafusos é obscuro, muitas vezes micro-ambientes úmidos que podem acumular água, em seguida, secar, concentrando os minerais que aceleram a corrosão. A parte externa das ancoragens e dos bolts podem parecer bons, enquanto as partes internas podem estar comprometidos. Kenny Parker, o chefe de re-equipagem para a organização de escaladores de New River (NRAC) na parte West do estado da Virginia no New River Canyon, informa que em algumas vias com 20 e tantos anos que ele re-equipou, uma ancoragem velha pode estar muito bom exigindo muito trabalho para extração ao mesmo tempo a próxima ancoragem a alguns metros da última se despreende facilmente, com pouquíssimo esforço. Você nunca sabe. Vaca vencedora, alguém se habilita?

Bolts podem estar envelhecendo, mas nas áreas de escalada mais populares, comunidades locais estão trabalhando em atualizar as ancoragens com produtos mais duráveis de aço-inox. Diferentemente do zinco, o processo “inoxidável” coloca os metais que atraem o oxigênio dentro do próprio aço, de forma que a casca protetora se renova constantemente. Mas substituir bolts (removendo-os, refurando os buracos existentes, ou em alguns casos furando novos buracos) requerem um investimento significativo de tempo e dinheiro. Em areas como Boulder e Yosemite que tem um alto nível de comprometimento com o reaproveitamento dos buracos originais, pode durar um dia inteiro de trabalho de um especialista, algumas vezes até mais que isso, para re-equipar uma via simples de escalada esportiva. Além disso, rocha íngremes e negativas dificultam o acesso para as colas (dos grampos químicos), ou ancoragens que não são confiáveis nem mesmo para facilitar a re-equipagem, tudo isso adiciona tempo necessário.

 Para perspectiva, um setor de escalada esportiva pequeno, como o Arsenal em Rifle Mountain Park no Colorado, pode levar para um especialista de duas a três semanas de trabalho de tempo integral para re-equipa-la. Rifle é uma área de escalada pequena, e o Arsenal é apenas um dos seus 30 setores. Multiplique isso por muitas centenas de áreas de escalada do País e você esta falando de dezenas de milhares de horas de trabalho. Sem mencionar a despesa com o equipamento necessário ao trabalho.

A boa notícia é que as comunidades locais de escalada têm sido muito bons em fazer este trabalho e em adquirir novos equipamentos para isso. Boulder, Rifle, The New, The Red, Rumney, Yosemite, Joshua Tree – esses e muitos outras áreas bem conhecidas estão nisso. A má notícia é que centenas de areas de escalada esportiva na América estão fora do caminho, sem nenhuma comunidade expressiva de escaladores ou organizações locais para arrecadar dinheiro e organizar o trabalho voluntário. Em picos menos conhecidos de escalada esportiva do Tennesse à Califórnia, os velhos bolts zincados estão próximos ou já passaram da hora de se aposentarem.

Então como toda a infraestrutura Americana de escalada esportiva tornou-se perigosa por causa da corrosão? É uma resposta em duas partes. Parte 1: Antigamente, nós não tínhamos esse tipo de conhecimento. Parte 2: Os conquistadores pagavam do próprio bolso por aquelas ancoragens que toda a comunidade utiliza. Graças a eles, nos Estados Unidos, proteções mais barata zincadas ainda estão sendo utilizadas, prolongando e agravando a nossa crise de infra-estrutura. Durante décadas, montanhas europeias têm usado apenas equipamento de aço inoxidável, financiado (inclusive os conquistadores) por organizações de escalada ou comunidades locais que consideram escaladores um benefício econômico. Nos Estados Unidos, no entanto, equipamento subsidiado para os conquistadores é uma raridade.

Uma discussão na conferência de abril, influenciaram as próximas diretrizes internacionais para a resistência a corrosão em bolts de escalada. A UIAA (Federação Internacional de Escalada e Montanhismo, organização responsável pelo desenvolvimento e manutenção de padrões globais de segurança para todos os equipamentos de escalada, de cordas a cadeirinhas e mosquetões), há muito tempo tem padrões para a resistência dos bolts. E agora esta perto de lançar diretrizes para assegurar a longevidade dos bolts.

Motivada por uma série de falhas de ancoragens em áreas propicias a corrosão em áreas de escaladas tropicais como a Tailândia e a República Dominicana, a UIAA formou uma força tarefa de combate a corrosão dos bolts. Embora as recomendações oficiais ainda não foram liberadas, as linhas gerais das orientações já estão claras. Dois são particularmente significativos:

Primeiro, o padrão para o tempo de vida útil mínimo esperado para um bolt de escalada será de 50 anos. Se isso atinge fabricantes como muito exigente, esta comparado com muitas aplicações na industria da construção civil. Também reconhece o trabalho necessário para substituir bolts. Enquanto alguns bolts de aço banhado em ambientes desérticos podem durar 50 anos, a maioria dos parafusos não. Mas esse argumento é discutível, devido a segunda diretriz: Aço inoxidável, seja o 304 ou 315, será o requisito mínimo de material. Aço-zincado esta fora da lista e será oficialmente declarado “apenas para uso indoor”.

Como muitas práticas de escalada, equipar uma via tem sido um padrão livre para qualquer um até este ponto, sem documentos formais para definir regras. Esses dias estão contados. Planos oficiais do manejo da escalada estão chegando a mais áreas e referem-se às recomendações da UIAA para orientar as “melhores práticas”. Inoxidável será requisito básico. A maioria dos escaladores concordam que é como deveria ser, mas o que é assustador é que as áreas estabelecidas com amplo uso de ancoragens não inoxidáveis poderiam ser fechados por não cumprirem o padrão da indústria. A publicação esta clara: De agora em diante, nenhum fabricante ou conquistador deve usar um bolt de aço-zincado. No entanto, quem vai fazer valer a ética?

“vai se tornar uma pressão nobre” diz Brady Robinson, executivo diretor da AF. “Eu já escutei este argumento: Se você não pode comprar uma corda dinâmica você usa uma corda comum para escalar? Não, você não faz isso. Ou você dá um jeito de ter uma corda de escalada ou você não irá escalar onde precisa de corda”

O Argumento econômico não vai impedir as coisas de acontecerem. Equipar vias em propriedades privadas é uma coisa, já em propriedades públicas é um ato público e portanto devem aderir ao padrão mais adequado, que neste momento é provavelmente o padrão UIAA.

Então o que um conquistador barato faz? a ASCA (Associação Americana de Escalada Segura) e muitas organizações de escalada locais patrocinam a substituição dos bolts ou com Aço Inoxidável (para áreas mais para o interior) ou Titanium (para áreas costeiras), a proteção mais duradoura de acordo com os ambientes em que serão usadas. O custo de equipar uma área de escalada não é tão grande para uma organização onde todo mundo contribui, mas é significativo para conquistadores individuais que arcam com os custos totais. A maioria dos programas existentes só subsidiam a substituição das ancoragens. As conquistas já são uma questão diferente.

Várias apresentações na conferência de proteções fixas ofereceram soluções possíveis. Como essa: As agencias de manejo de áreas deveriam abraçar a escalada e pagar por tudo. Este sonho é o que esta acontecendo com as falésias de calcário em John Boyd Thacher State Park, próximo a Albany, Nova Iorque. Após navegar pelo longo processo de declaração de impacto ambiental e processos de permissões ambientais, um pequeno grupo de escaladores persuadiram o parque a abrir áreas de paredões de calcário para a escalada e posteriormente convenceram o manejo do parque que eles deveriam financiar o desenvolvimento, pagando pelas proteções e pelo trabalho de instalar-los. Embora seja prática comum na Europa, os exemplos deste tipo nos Estados Unidos ainda são raros. É esta a onda do futuro? Provavelmente não, mas é bom de se ver isso acontecendo de vez em quando.

Uma solução mais promissora é o trabalho da Iniciativa de Proteções Fixas da Red River Gorge (FAI). A FAI é um programa de subsídio a ancoragens para os conquistadores, que encorajam-nos a usar aço inoxidável nos equipamentos de conquista para novas vias. Os Conquistadores continuam pagando pelos bolts, mas pelo preço que pagariam por uma bomba relógio de aço zincado, a FAI fornece aço inoxidável sustentável, com doações da comunidade de escalada pagando a diferença. É um sistema simples, mas não evita os riscos do abuso.

A Substituição de bolts, com seus custos, o trabalho de execução e os truques as vezes extravagantes para extrair os velhos bolts, vão continuar a desafiar a comunidade da escalada por décadas. Mas cada vez melhor e mais duradouros equipamentos de proteções fixas na rocha pela primeira vez pode ser mais importante. A FAI e outras organizações estão mostrando que é possível para a comunidade de escalada local para compartilhar o custo de fazê-lo direito.

Jeff Achey é um conquistador “Dirtbag” (barato) que não usa mais bolts de aço-zincado.

Aceitamos doações.

Patu

Patu é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, Nordeste Brasileiro, na região Oeste Potiguar e a Microrregião de Umarizal. Com área de 319,129 km2 e população de 11.664 habitantes, sendo o 48º maior em população do RN, conforme censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Período de chuvas e de Março a Maio, conforme indice histórico

Maiores acumulados de precipitação em 24 horas
registrados em Patu por meses (EMPARN, 1911-presente)[13] [14]
Mês Acumulado Data Ref Mês Acumulado Data Ref
Janeiro 150 mm 19/01/1961 [15] Julho 80 mm 05/07/1964 [16]
Fevereiro 158 mm 04/02/1951 [17] Agosto 66,4 mm 08/08/1918 [18]
Março 183 mm 26/03/1954 [19] Setembro 38,5 mm 18/09/1923 [20]
Abril 220 mm 17/04/1952 [21] Outubro 94,5 mm 15/10/1976 [22]
Maio 260 mm 07/05/1952 [23] Novembro 103 mm 08/11/1981 [24]
Junho 109,2 mm 01/06/1987 [25] Dezembro 95 mm 21/12/1946 [26]

Fonte: wikipedia

Segundo o Ministério da Integração Nacional, Patu está incluído na área geográfica de abrangência do clima semiárido brasileiro, definida em 2005. Esta delimitação tem como critérios o índice pluviométrico, o índice de aridez e o risco de seca.[27]

A Escalada em Patu está nos seus passos iniciais, hoje contando com apenas 5 vias de escalada e milhares de possibilidades, tendo surgido por volta de 2014/2015 no Pico do Pelado e na Serra do Lima, onde há o cruzeiro e atualmente a maior via de escalada do RN, que junto com a Cachalote em Quixadá/CE se tornam as maiores vias do Nordeste.

Acessadas pelo Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, construído em 1758,  a 310 km de Natal (Capital Potiguar).

No inicio de 2016 foi concluída a abertura da Via Crucis (veja o croqui aqui) que passou a ser até então a maior via de escalada do RN, chegando a incríveis 530 metros, a via foi aberta pelo escalador Brito Filho com apoio de Heráclito Patrício, Charles – Challera, Allysson Laurentino e Zé Doido, morador local que a anos vive em contato com praticantes de Voo Livre, seja Parapente ou Asa Delta, uma vez que Patu tem das melhores condições de voo do mundo,  Zé Doido fez a linda trilha de acesso e inicio da via que leva o seu nome “Trilha do Zé Doido”.

A Primeira Ascensão (First Ascenscion – FA) foi realizada pelos Conquistadores Brito FIlho e Charles em 04/03/2016 após apenas 3 investidas, algo inusitado para uma via desse tamanho.

Foto da P6 do acervo pessoal de Brito Filho

Allysson Laurentino saindo da P9 para a P10, do acervo pessoal de Brito Filho.

Ainda em 2016, Brito Filho e Denn Malloy conquistaram a via Morada dos Deuses, com seus 720metros, tornou-se então a maior via de escalada do Nordeste, um mês após sua conquista ele teve sua primeira repetição onde os escaladores fizeram um bivaque e dormiram no meio da parede a 480 metros do chão, será que teremos em Patu um autêntico Big Wall nordestino? o certo é que os escaladores que gostam de vias tradicionais de escalada alpina, estão gradativamente voltando os olhos para Patu.

Em maio de 2017, foi realizado a ATM (Abertura de Temporada de Montanhismo), idealizada por Brito, tornou-se realidade com o apoio de diversas instituições e principalmente pelos Patuenses que abraçaram também a escalada. Na ATM diversos escaladores do Nordeste compareceram, entre paraibanos, pernambucanos, cearenses e Norte rio grandenses, além da presença ilustre de alguns estrangeiros que já frequentam o cenário potiguar da escalada.

Atualmente há o Abrigo Patugônia, No mirante da serra, atualmente o principal ponto de apoio para os escaladores e conquistadores que desejarem visitar Patu.

Para mais informações, Brito disponibiliza seu contato (brito.rn@gmail.com).

Como chegar em Patu:

  • Distância de Natal – 310 km aproximadamente (3 horas).
  • Pegue a BR-304 até Assu passando por Parnamirim, Macaíba, Santa Maria, Riachuelo, Lajes, Angicos, Itajá e Assu saindo de Assu pegar a RN 233 em direção Triunfo Potiguar por 48 km até a BR 226 em Direção a Campo Grande por mais 20 km, na rotatória chegando a Campo Grande siga a esquerda mantendo-se na BR 226 até Patu por mais 32 km passando por Janduís, Messias Targino e finalmente Patu).

As coordenadas geográficas são:

  •  Latitude: -6º6’0”
  •  Longitude: -37º38’0”
  •  Altitude: 227 m

Mapa Topográfico de Patu