Corda Edelrid Boa

Revisão de Gus Hudgins publicado na revista digital Climber

Eu já analisei um bom número de produtos ao longo dos anos, mas quando eu fui chamado a fazer a avaliação de uma corda eu fiquei relutante. Eu recentemente havia passado por uma experiência desgastante com minhas próprias cordas que tinham desgastado nas extremidades e havia em uma única área pelo menos dois incidentes em que eu fiquei pendurado por uma corda que tinha exposto a alma, o que não é uma experiência muito agradável.

Então, durabilidade é sem dúvidas um fator crucial quando eu vou selecionar cordas hoje em dia, e teoricamente, quanto mais grossa a corda maior sua durabilidade. Eu desisti da oferta de experimentar uma corda super fina de 8.6 mm e uma corda gêmea de 6.9 mm e através do processo de eliminação eu terminei ficando com a Edelrid Boa de 70 m.

Eu nunca havia tido uma corda Edelrid antes, mas estava realmente interessado em experimentar uma, já que sempre me pareceu ser a corda que todo mundo tinha uma na rocha e nas oportunidades em que eu usei uma para escalar eu sempre me impressionei, mesmo com cordas velhas que ainda pareciam perfeitas para o uso e pela sua performance. a Edelrid Boa de 9.8mm provavelmente representa o melhor diâmetro para mim, eu usei-a majoritariamente durante escalada esportiva e em escaladas tradicionais por alguns meses já e estou satisfeito em reportar que ela vem mantendo sua reputação quanto a durabilidade e eu não precisei cortar as pontas ainda mesmo tendo usado-a enquanto estou trabalhando nos bolts e proteções de vias antigas. Como eu mencionei, eu sou bastante pesado o que obviamente reflete em volume de uso da corda.

A Edelrid usa uma tecnologia em suas cordas que eles chamam de “proteção térmica” que é um processo de estabilização térmica que dá a corda uma sensação realmente agradável ao manusear-la, o principal benefício disto é que não sai na lavagem como alguns tratamentos de cordas, o que explica porque essa corda e outras usadas que experimentei da mesma corda ainda mantém uma manuseabilidade. Quando nova, a que eu testei estava bem lisa, mas performando bem num Gri Gri 2, em particular, foi fácil de usa-la e alimenta-la enquanto usando técnicas simples de dar segurança. (ex.: Usando o Grigri da mesma forma que usamos um sistema de freio padrão, que é a forma mais segura) ela ainda mantém a boa manuseabilidade após vários meses de uso e definitivamente não está surrada nem ressecada como estariam outras cordas que já usei.

A combinação de durabilidade e manuseabilidade definitivamente significam que ela é uma corda para todo tipo de uso e a única vez que eu experimentei algum arrasto foi em vias com esticões particularmente longas (acho que algo em torno de 30/40 metros). Definitivamente nada que não pudesse ser resolvido com algumas costuras mais longas mas é um preço pequeno a ser pago por usar uma corda mais grossa. Falando em preço a Boa de 70 m em torno de 145 Libras Esterlíneas e eu definitivamente já paguei mais caro por cordas que me impressionaram muito menos.

 Como era de se esperar, o meio é marcada e um ponto de interesse final das cordas Edelrid é ter sido “aprovada pela bluesign” (que é uma padronização na a manufatura de têxteis), o que não quer dizer que elas são fabricadas em um ambiente neutro, afinal de contas elas são fabricadas com nylon, mas é um importante passo na produção de forma mais limpa possível e é um importante passo que a cada dia mais e mais marcas de produtos Outdoor estão dando.

Então para resumir, eu não vou citar nomes das más experiências que eu tive antes, mas para resumir após testar a Edelrid Boa de 9.8 mmm, definitivamente eu nunca experimentei uma corda tão boa! a ponto de levar em consideração experimentar a finíssima opção da Edelrid a Corbie de 8.6 mm como uma ferramenta especial para vias muito longas e para vias à vista.

Detalhes Técnicos

Peso (g/m): 62

Proporção de capa (%): 40

Número de Quedas: 6

Impacto de Força (kN): 8.8

Alongamento dinâmica (%): 32

Alongamento estático (%): 9,3

Deslizamento de capa (mm): 0

Cordas precisam descansar?

Algumas semanas atrás eu estava em um pico de escalada local, quando um dos meus colegas perguntou se eu me incomodaria de responder uma questão “tecnico-científica típica questão de engenharia”. Ele queria saber porque cada queda que ele levava enquanto estava desenvolvendo seus “projetinhos” pareciam progressivamente mais dolorosas. Eu mencionei que uma velha publicação da Freedom of the hills assim como uma numerosa quantidade de revistas de escalada mencionavam sobre deixar suas cordas “descansarem” entre quedas fortes ou mesmo trocar as pontas antes de tentar o movimento do crux novamente. Isto e claro para reduzir a sobre-carga sofrida, o que pode se tornar especialmente critico quando se escala com equipamento danificado, A Corda e a peca fundamental que ajuda a absorver energia quando o sistema esta elastecendo – e assim como um elástico, eh preciso tempo entre cenários de cargas expressivas para descansar e então poder absorver a máxima quantidade de energia no próximo esforço. Meu amigo me encarou, claramente não tendo a menor ideia do que eu estava falando.

Ele continuou e perguntou se haveria algo que ele poderia fazer para diminuir as dores nas suas falanges, e reduzir a carga de equipamento necessário. Mas alem disso ter uma segurança dinâmica. Use uma corda de alta elasticidade, folgue um pouco seu no após cada pequena queda (Porque os nos também absorvem energia durante uma queda), deixe a corda descansar entre cada tentativa, e use nylon slings e costuras que absorvam mais energia que a Spectra/Dyneema (que não elastece).

Para tentar colocar alguns números, eu e alguns integrantes do grupo QA Engenharia desenvolvemos um rápido plano de teste e executamos na torre de testes. Nos percebemos que tentariamos perceber diferenças de cargas sofridas em cada equipamento da proteção quando:

Executando sucessivas quedas o mais rápido possível na mesma corda
Descansando a corda 30 minutos entre cada tentativa
Folgando o no entre as tentativas
Deixando a corda descansar 2 horas entre as tentativa
Deixando a corda descansar um dia inteiro entre cada tentativa

Nota Informativa: Esse não pretende ser um teste complexo, nem tese de PHD, apesar do pequeno caráter cientifico. Claro que há muito muito mais que poderiamos fazer para melhorar isso. Esta informacao limitada a uma pagina de resumo e apenas uma tentativa de dar aos escaladores um pouco de alimento para a imaginacao. Apenas isso.

Configuração do Teste:
BD drop tower (sem certificação da UIAA)
80 Kg de massa rígida de aço
Freio Estático (isto e critico, apesar de ser atípico ou realista, e repetível e nos permite isolar variáveis que nos interessa)
Corda de 10,5mm (nova)
Corrente usado como costura
Cenário tipico de queda de guiada
Fator de queda: 0.26

Linhas gerais do teste (corda descansando 5 minutos entre as cargas)
Usando uma seção da corda no teste conforme descrito acima, a massa foi liberada e a tensão foi tensionada (na parte superior do equipamento).
A massa foi subsequentemente levantada de volta ate a mesma altura e novamente jogada após a marca de 5 minutos.
O teste foi repetido por 10 vezes.

Folgando o No

Assim que as cargas era relativamente pesadas durante este teste, nos percebemos que não seria tão fácil folgar os nós, então nos decidimos colocar um mosquetão dentro do 8 duplo. Isso permitiu que folgassemos o no a cada queda, e a massa era subsequentemente levantada a mesma altura e jogada novamente a marca de 5 minutos.
Isso foi repetido por 10 vezes.

Corda descansando 30 minutos entre cada carga

Mesmas linhas gerais do teste anterior no entanto a corda descansou 30 minutos entre cada tensão de carga, repetido por 10 vezes.

Corda descansando 2 horas entre cada carga

Mesmas linhas gerais dos testes anteriores no entanto a corda pode descansar por 2 horas entre cada carga e só foi repetido uma vez.

Corda descansando 24 horas entre cada carga

Mesmas linhas gerais dos testes anteriores, no entanto a corda pode descansar 24 horas e a carga só foi liberada uma única vez.

Observações:

1. Como esperado, progressivamente os resultados aumentam as forcas.
2. As maiores cargas foram para a primeira e segunda carga, como esperado.
3. Folgar o no após cada queda reduziu um pouco a tensao, porem não muito.
4. Deixar a corda descansar 30 minutos entre cada tensao sofrida teve um efeito muito maior do que reduzir a tensao do sistema do que folgar uma corda, porem ainda não foi expressivo.
5. Permitir a corda descansar 2horas e 24horas teve um efeito de reduzir as tensoes na segunda carga.
6. Permitir a corda descansar 24horas ainda resultou numa tensao 11% maior do que na primera carga.

Conclusao:

Folgar o seu no, ou deixar a corda descansar antes da próxima queda reduz os impactos das cargas levemente. No entanto, usar cordas diferentes para cada tentativa ou trocar os lados da corda produz um efeito muito mais positivo. E claro que a melhor opção para manter as tensoes no sistema minimizados e não cair, em primeiro lugar. Como declarado anteriormente, isto não e um estudo exaustivo e existem muitos outros testes e experimentos que poderiam ser realizados se não estivessemos ocupados fazendo o melhor equipamento de escalada do mundo. Por exemplo:

“Quanto tempo demora para que a corda possa descansar a ponto de ficar em condicoes similares a de uma corda nova, ou ainda, isso pode efetivamente acontecer?”

“Qual e a diferença se tivessemos usado um freio realista e dinamico ao inves de um freio estatico”

“Que tal fazer esses testes com uma corda ainda mais fina?”

“E como fica se usarmos corda dupla? Ou gemea?”

“ qual o efeito de folgar o seu no ou deixar a corda descansar tem um efeito melhor num mundo real com cenario de cargas realisticas?”

Quem sabe um dia,

Escale com seguranca.

KP

Fonte: Black Diamond