5 Passos para um rapel mais seguro

Publicado originalmente em climbing.com por Jason D.Martin (tradução livre)

Siga essas orientações para aumentar a segurança no rapel

Desde 1951, Acidentes no Montanhismo Norte-Americano tem alcançado narram centenas de acidentes em mortes no rapel, tanto nos Estados Unidos como no Canadá. Embora os riscos associados com o rapel e escalada nunca poderão ser totalmente eliminados, há atitudes que podem ser tomadas para mitigar os riscos. Enquanto muitos acidentes de escalada podem deixar algumas lesões, quase todos os acidentes de rapel deixam o praticante morto, então não há espaço para erros ai. Enquanto diretor de operações e guia para o instituto American Alpine, eu compilei uma lista de cinco passos fáceis que todos escalador pode usar para minimizar as chances de um acidente com rapel. Não é rapelar uma ou duas vezes que é perigoso. É o rapel como um todo que leva ao e perigo real.

#1 Saia Andando

Se for possível sair andando com segurança do cume, saia. Pode ser mais longo e requerer mais energia, mas caminhar enquanto se esta cansado é muito menos perigoso do que fazer um rapel usando corda e sistemas de ancoragens e backups postos em prática quando se esta cansado que torna o rapel perigoso. Limitar a quantidade de tempo gasto no rapel é certamente uma forma de limitar a exposição a potenciais erros.

#2 Feche o Sistema

Sempre feche o sistema. Costumeiramente fazer nós de arremate nas pontas das cordas é o jeito mais simples e mais seguro, e o pescador triplo é um nó “limpo” que não vai passar por nenhum sistema de segurança. Esse é um método simples que é normalmente ignorado, mas fechar o sistema deveria ser uma tática padrão. As pessoas raramente pensam sobre amarrar nós nas extremidades da corda em vias de uma única cordada, mas, ironicamente, é onde a maioria das pessoas geralmente se acidentam. Nós na corda vai evitar esse tipo de acidente e é um problema de fácil solução.

Se você esta com medo de sua corda ficar presa quando você a estiver puxando – por causa da vegetação ou área quebradiça, terreno arenoso ou se tiverem outros escaladores abaixo – considere amarrar as pontas da corda e clipar-las a um mosquetão no seu baudrier, então rapele com alforjes. Em um cenário de rapel em múltiplas cordadas, isso diminui a probabilidade da corda ficar presa e fornece a segurança de um sistema fechado.

#3 Monte o sistema corretamente

Um dos erros mais comuns é não pegar as duas pontas da corda no freio. Quando corretamente montado com as duas pontas da corda, as forças são distribuídas igualmente entre as duas pontas da corda, o que evita que a corda escorregue pela ancoragem. Se você só usar uma ponta da corda pelo sistema de freio, a corda vai escorregar mais rápido pela ancoragem, e é muito provável que você leve uma grande queda até o chão. Confira e re-confira todo o seu próprio sistema, tanto quanto o de seu parceiro se possível.

#4 Monte um back up

Montar um back up no rapel vai lhe assegurar que se ocorrerem erros você não cairá no chão. Adicionando um Auto-block / Prussik / Marchand acima ou abaixo do seu sistema de rapel é o melhor back up. Se você perder uma das pontas e você tiver um auto-block/ Prussik / Marchand, ele irá evitar que você leve uma queda. O Auto-block / Prussik / Marchand também é recomendado no caso de o escalador acidentalmente perder o controle e soltar as mãos da corda enquanto estiver descendo, inclusive se o escalador ficar inconsciente em uma queda ou outras razões que o façam soltar a corda.

As duas opções são um Auto-block / Prussik / Marchand abaixo do equipamento de rapel ou colocando um Auto-block / Prussik / Marchand nas duas pontas da corda Acima ou Abaixo do equipamento. A maior desvantagem nesse sistema é que ele gasta mais tempo para ser montado. Rapelar com um nó abaixo do freio tem entrado um pouco fora de uso, mas ainda há pessoas que o fazem. A maioria dos escaladores usam o nó Auto-block / Prussik / Marchand com um mosquetão de rosca preso a perna da cadeirinha. Isso permite que se use as duas mãos abaixo do equipamento produzindo mais redundância (backup) no rapel.

Lembre-se, que um nó Auto-block / Prussik / Marchand será desativado se ficar preso contra o freio, o que pode acontecer facilmente se o nó é muito grande e o escalador torce de uma certa maneira. Se o escalador precisa para desenrolar as cordas emaranhadas ou qualquer outra coisa, enquanto estiver pendurado no freio ele deve fazer um outro nó abaixo do freio. Isso irá garantir que se algo acontecer o escalador não vai cair no chão.

Além disso, ter o cuidado de sempre fechar as fivelas ajustáveis comuns nas pernas. O problema com este tipo de cadeirinha é que um mosquetão clipado a um backup do rapel pode eventualmente prender-se na fivela da perna e folga-lo ou mesmo soltar-lo. No entanto pode-se clipar um mosquetão de rosca na parte interna da coxa onde não se tem fivelas (ao invés de por acima onde pode haver fivelas)

#5 Estenda o rapel

Muitos escaladores e a maioria dos guias preferem rapel longo, significando que o rapel fica acima do baudrier na fita da solteira. Há um número de vantagens desse sistema. Muitas pessoas podem podem montar seus rapeis simultaneamente, o que pode reduzir o tempo total gasto na descida. Ele também permite que tanto ambos escaladores confiram o sistema do outro antes de iniciar a descida. E é possível de por o nó auto-block/Prussik de back up diretamente no loop do baudrier, aumentando a segurança e reduzindo a probabilidade de o nó bater no freio e destrava-lo.

FREIOS

Antes de rapelar você deveria conferir todos os aspectos do seu sistema. O Acrônimo para os sistemas de rapel é o FREIO, desenvolvido por Cyril Shokoples, 10 anos atrás e agora largamente usado pelos escaladores mundo a fora, podem ser facilmente montados e conferidos como um checklist. É uma boa ideia de conferir todo o sistema em voz alta tocando no equipamento a medida que se confere, confirmando que está tudo montado adequadamente e que irão funcionar bem.

F – Fivelas: Confira as fivelas do seu baudrier. Certifique-se que todas as fivelas estão fechadas apropriadamente.

R – Equipamento de Rapel/Cordas: Confira os mosquetões do seu sistema, se estão fechados, as duas pontas da corda corretamente conectados ao sistema e a corda passando corretamente no sistema.

E – Equalização/Ancoragem: Confirme que a ancoragem é boa. Se for uma arvore, certifique-se que ela esta viva, e que é larga o suficiente para suportar seu peso, e que tem uma boa base de raízes. Se for um boulder, certifique-se que não vai se mexer. Se estiver rapelando em proteções fixas certifique-se que elas são fortes o suficiente. Confira e reconfira que nenhuma fita, cordelete ou corda estão danificadas ou muito velhas.

I – Nós gerais e de União de Cordas: Confira todos os nós do sistema. Certifique-se que os nós de união das cordas estão corretamente apertados e com sobra o suficiente.

O- Nó nas pontas da corda: Certifique-se que as pontas da corda estão com nós para evitar que passem pelo freio caso cheguem ao final antes de você estar preso à próxima ancoragem. Confirme que as duas pontas da corda estão com nós.

S – Segurança de Back Up: Use um autoblock / Prussik de back up e certifique-se que você não estará rapelando bordas afiadas.

Obs.: Cuidado com cabelos longos, conforme sugestão de alguns escaladores mais experientes como o Edson Du Bois, eventualmente se o cabelo grande entrar no freio vai ficar bem complicado liberar sem cortar o cabelo. Por isso sugerimos estar atento e prender bem os cabelos quando longos.

Eu posso misturar uma corda estática com uma corda dinâmica para rapelar?

Publicado originalmente na rockandice.com pelo “garoto do equipamento” (tradução livre)

É indicado unir cordas dinâmicas com estáticas para rapelar? Se nós fazemos um big wall, nos teremos os dois tipos de cordas e na hora de rapelar, preciso saber se isso é seguro. Também gostaria de saber se unir cordas dinâmicas de diâmetros diferentes é seguro? tipo uma 10.5 mm e a outra de 9.8 mm?

É bom que você tenha uma meta, porque agora você tem um proposito, que é se manter vivo. Eu gosto da sua meta porque você a escreveu o que representa um real comprometimento. Sua meta também atende os princípios básicos de uma boa meta. É Concebível, controlável e mensurável. Muitas vezes eu ouvi falar de metas tanto quanto eu quero acabar com o mosquito da dengue! Que são metas estupidamente irreais. Você no entanto tem a necessidade de encontrar segurança.

Saber que mesmo nas melhores circunstancias, rapel não é seguro e é o 4º fator na morte de escaladores experientes e igualmente para iniciantes. Claro, é concebível que você possa rapelar em uma corda estática emendada a uma corda dinâmica e sobreviver, mas você deve saber uma coisa sobre essas cordas. A Corda dinâmica em comparação com a estática (e duas cordas dinâmicas de diâmetros diferentes, tais como a sua 10.5 mm e 9.8 mm) poderia, devido às suas diferentes taxas de alongamento e fricção, fazer com que o nó se junte as duas cordas e arrastar na ancoragem. Resultado? As extremidades da corda pode ficar irregular e você pode chegar ao final de uma das cordas antes da outra, aumentando o risco de transformar o rapel no 3º fator de morte entre escaladores. Mas se você sobreviver, terá uma boa dificuldade para segurar as cordas uma vez que uma delas vai deslizar mais rápido que a outra.

Para atingir sua meta, ou seja, fazer rapel com corda dinâmica e estática em conjunto (ou duas cordas de diâmetros muito diferentes) e viver, você deve amarrar as extremidades de ambas as cordas! além disso, colocar os nós no mesmo lado da ancoragem; Amarradas desta forma, o nó fica atolado contra a âncora quando as cordas tentarem se mover. Esteja ciente de que os nós tentarão mudar de direção então mantenha as extremidades iguais ainda assim pode ser difícil puxar a corda ao final do rapel.